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Perfil Docente: Prof. Luiz Dal Molin
22/07/2010
por Assessoria de Comunicação

O perfil apresentado a seguir é do Coordenador da Pós-Graduação e Extensão da Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre, Prof. Luiz Dal Molin. 

- Você é natural de onde?
Nasci em Erechim e desde os nove anos de idade saí de casa para estudar e enfrentar o mundo, com a retaguarda dos pais, que se orgulhavam em ter seus sete filhos formados em curso superior, ao invés de serem apenas força de trabalho, comum entre meus parentes: os cinco homens titularam-se na UFRGS, nas diversas áreas do conhecimento: Administração, Engenharia Agronômica, Engenharia Civil, Odontologia e eu, Ciências Contábeis; as irmãs cursaram Ciências e Educação Física.

- Segue alguma religião? Qual?
Sim, a religião católica, mas com um grande respeito às demais religiões, ao ponto de um filho ter migrado para outra religião.

- Família. O que significa para você?
A família e, principalmente, os filhos, considero um baluarte e a continuidade da vida. É bonito ver os filhos crescerem e tomarem um rumo na vida. Confesso que, num momento inicial, desejava que a esposa e os filhos pudessem ajudar-me no escritório de consultoria, mas cada um foi tomando um rumo diferente do meu: a filha formou-se em Propaganda e Publicidade e os dois filhos estão estudando Direito e Administração. Esta decepção inicial de não contar com eles na atividade profissional fez com que eu enxugasse a empresa de consultoria criada, após ter trabalhado em diversas organizações e em outra empresa de consultoria, e reduzisse o atendimento de clientes em outras capitais, após ter dado a oportunidade de início profissional a oito estagiários, além de sócios e parceiros. Direcionei-me, então, mais ainda para o meio acadêmico, pois no início lecionava apenas uma ou duas noites por semana.

- Formação. Formado em Ciências Contábeis, possui várias Especializações, Mestrado e, atualmente, com o Doutorado em andamento. Conte um pouco da sua caminhada de estudos até o momento.
Minha vida sempre foi pautada pelos estudos. Após a graduação em Ciências Contábeis, fiz novo vestibular na UFRGS para Filosofia, tendo cursado algumas disciplinas que tinha interesse. Depois de alguns semestres, fiz o terceiro vestibular para Administração, cursando algumas disciplinas complementares, cujos conteúdos não tinham sido vistos com destaque no curso de Contábeis.

Como até há poucos anos, não eram oferecidos mestrados na área contábil e o doutorado existia apenas na USP (São Paulo), direcionei-me para pós-graduações nos seguintes cursos de especialização; em alguns deles, sem a preocupação com a obtenção do certificado, mas para agregar conhecimentos: 1) Realidade Nacional (Rio de Janeiro); 2) Custos e Orçamento; 3) Gestão Empresarial; 4) Controladoria (São Paulo); 5) Gestão da Qualidade; 6) Ciências Empresariais.

Iniciei a caminhada com pós-graduações stricto sensu cursando o doutorado em Educação pela Universidade de Wisconsin; após um semestre, resolvi mudar para o doutorado em Direção de Empresas (Universidad de León), tendo concluído os créditos; interrompi o desenvolvimento da tese para cursar o mestrado em Ciências Empresariais, pela Universidade do Porto.

- Doutorado. Qual a pesquisa (tese) que está realizando? Onde? Qual a previsão de defesa?
O projeto de tese foi aprovado para pesquisar a "responsabilidade social e ambiental das empresas", cujo tema, aliado à sustentabilidade, preocupa as empresas e a sociedade em geral. Pretendo defendê-la no próximo ano.

- Trabalho: com uma vasta trajetória profissional na área, principalmente como consultor empresarial, além de professor universitário, relate a sua experiência no mercado e acadêmico. E como acontecem as trocas, tão importantes para o aprendizado dos seus alunos?
Comecei estudar muito cedo e com 17 anos já tinha concluído o 2º grau, num Colégio Estadual; em paralelo, participei numa das gestões do Grêmio Estudantil como tesoureiro e na seguinte fui eleito como presidente e como integrante da Associação Erexinense de Estudantes.

Antes de partir para o 3º grau, resolvi parar os estudos durante um ano para, sob orientação do COM (Centro de Orientação Missionária) trabalhar como leigo no Maranhão, sendo professor em Escola Municipal e executando atividades com os jovens (foi a primeira incursão na atividade de ensino).

No retorno ao sul, trabalhei como empregado em diversas empresas, sobretudo em indústrias, concomitante aos estudos, como auxiliar de escritório, auxiliar contábil, assessor da presidência, contador, gerente administrativo-financeiro e controller.

Surgiu, então, uma oportunidade de trabalhar numa empresa de consultoria, que na ocasião era destaque no Rio Grande do Sul, atuando em outras capitais também, no início como empregado e depois como sócio minoritário. Nesta empresa, fui gerente de aplicativos financeiros e tive a responsabilidade de definir e coordenar o desenvolvimento de um software orçamentário estruturado, aplicável para qualquer tipo de empresa, que não tivesse sido desenvolvido em planilhas eletrônicas e pudesse também ser um simulador orçamentário. Com este produto, pude trabalhar em inúmeras multinacionais, no centro nevrálgico dos seus sistemas de informações e da sua visão de planejamento e consolidação com as demais unidades espalhadas pelo mundo inteiro. Também, eu fazia parte da equipe de instrutores dos cursos de imersão em Controladoria e Finanças (uma semana), para altos executivos do Brasil, e de cursos de curta duração sobre custos, formação do preço de venda, orçamento, efeito-tesoura.

Já comentei para diversos alunos, principalmente de Custos e de Orçamento Empresarial, que quero estar com a consciência tranqüila em relação ao processo de ensino-aprendizagem, pois pretendo repassar-lhes o "caminho das pedras" que não consegui encontrar nas graduações e pós-graduações que cursei em diversas IES, mesmo tendo disciplinas específicas sobre estes temas: como obter um roteiro para implantar e reavaliar a estrutura de custos das empresas e como elaborar e implantar o orçamento empresarial, para poder maximizar os resultados do negócio. Como a academia não me propiciou isto, de maneira direta, fui buscar e construir estes modelos de maneira autodidata, nas empresas em que trabalhei ou que foram meus clientes. E hoje, mais do que a mera teoria, importante como fundamentação, a prática-teórica (do feedback da vivência empresarial, para a teoria) permitem-me algumas convicções do que é imprescindível para as empresas e para o aprendizado; julgo esta práxis como vital para a academia.

- Autor: com algumas obras publicadas sobre Gestão de Custos e outros assuntos técnicos, acaba se tornando referência sobre o assunto. Como foi o processo de construção dessas suas obras? Elas são indicadas apenas à área das Ciências Contábeis?
Antes de ser professor universitário, era instrutor de cursos de imersão para executivos numa empresa de consultoria. Talvez aí tenha surgido a semente para gerar algum material didático de utilidade prática, que pudesse ser consultado posteriormente, ao invés de belíssimas apresentações em power-point, com efeitos visuais belíssimos, mas sem muito conteúdo para consulta posterior.

Acostumei-me a criar material didático descritivo e com exercícios ou cases integrados para cada uma das disciplinas que lecionei. As melhorias agregadas em cada semestre letivo permitiam a transformação natural das apostilas em livros, quer sejam comercializáveis ou apenas distribuídos aos alunos, graciosamente.

Tenho que dar um ponto final em duas destas obras, já aprovadas pela Editora Atlas, que está pedindo o envio dos originais (versão final) para publicação.

- Como você avalia a metodologia do ensino salesiano?
Como uma metodologia que prioriza o ser humano e que torna o ambiente da faculdade como uma grande família, onde cada um dos membros executa o seu papel integradamente; nem os professores e nem os alunos são meros números de matrículas. Precisa ser ressaltado que esta Faculdade está inserida no sistema salesiano das IUS (Universidades Salesianas), presentes em 132 países do mundo inteiro, tendo como base o tripé razão-religião-amorevolezza.

- Livro: o que leu e indicaria? Por quê?
Nos últimos tempos, tenho lido mais livros técnicos, jornais e revistas, dentre as quais a Revista Exame, indispensável para alunos de Administração e Ciências Contábeis. Sempre lembro de um livro que me chamou a atenção, após ter sido presenteado por um aluno-afilhado em função da mensagem que transmiti no discurso de formatura: Ah, se eu soubesse... o que pessoas bem sucedidas gostariam de ter sabido 25 anos atrás, de Richard Edler.

- Lazer. quais suas atividades preferidas?
As atividades de lazer preferidas são: futsal, natação e viagens; passivamente, acompanho as partidas não tão gloriosas no momento, do tricolor. Ah, semestralmente temos uma expectativa futebolística na Faculdade: a partida de futsal entre professores X alunos. Mesmo que em 2010/1, numa das partidas contra os alunos tenhamos sofrido a primeira derrota, temos algumas desculpas: nosso goleiro-professor Sócrates estava contundido, após uma cirurgia de meniscos; o goleiro-reserva Prof. Machado já tinha pendurado as chuteiras (agora só quer o avental vermelho de churrasqueiro); Prof. Aécio não repetiu sua última partida; Prof. Marcos não estava entrosado, pois era a sua primeira partida no time dos professores; Prof. Jardim, também novato no time, não conseguiu reverter o placar; Prof. Viecelli não jogava há um ano; talvez, a grande salvação estivesse nos pés do Prof. Jairo, que ainda não demonstrou suas habilidades futebolísticas ou das professoras, que não compareceram fardadas; ou, quem sabe, porque o Pe Marcos não deu o pontapé inicial, pois estava viajando.

- Um sonho a realizar?
Poder corresponder ao desafio proposto pelo P. Marcos, em março/2010, de estruturar e colocar em funcionamento, em conjunto com a Silvana, as atividades de Extensão e dinamizar a Pós-graduação, contando com a colaboração de todos.

Para a Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre poder se transformar num Centro Universitário e logo após numa Universidade, com o Ensino, Pesquisa e Extensão; em relação ao ensino, os diversos cursos de graduação já estão consolidados, mas a Pós-graduação apenas está iniciando com um curso de especialização em andamento e diversos em oferta; a pesquisa já tem uma trajetória de quatro anos com a iniciação científica; e a extensão que desde março/2010 está sendo dinamizada com atividades direcionadas para os acadêmicos e comunidade local.

- Uma frase ou ditado que marcou ou marca a sua vida?
Somar alegrias, dividir emoções, subtrair tristezas, multiplicar amigos e potencializar melhorias contínuas.

 
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